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A resposta breve
As listas de almoço e jantar do Mahina incluem as quatro Mazurcas op. 33 de Chopin interpretadas por Seong-Jin Cho. Por trás da mazurca estão as danças polonesas em três tempos chamadas mazur, kujawiak e oberek. Sua música acompanhava violinistas de aldeia que ornamentavam melodias, pares que giravam juntos e pessoas que aprendiam novos movimentos nas casas da nobreza. Chopin escreveu pequenas peças para piano a partir das características desses ritmos e melodias.
Em profundidade
Canções e conjuntos da Mazóvia
O nome mazur se relaciona com a Mazóvia, região central da Polônia ao redor de Varsóvia. Um homem que morava nessa região era chamado mazur. As danças locais incluíam o mazur e o oberek, além do kujawiak da vizinha Cujávia. Em registros posteriores, o folclorista Oskar Kolberg situou o mazur entre o kujawiak lento e o oberek rápido. Uma festa podia começar com uma dança caminhando, passar ao kujawiak e aumentar a velocidade com o mazur ou o oberek. Os dançarinos não passavam a noite inteira em um único andamento.

Entre os primeiros instrumentos de acompanhamento havia a gaita de foles popular chamada dudy. Ela mantinha um som constante, sobre o qual um cantor improvisava melodia e letra. Um baixo sustentado e uma canção recém-ornamentada acompanhavam juntos a dança. Em épocas posteriores, os conjuntos da Mazóvia incluíam também violino, um grande tambor, acordeões de registros distintos e clarinete. O violinista mudava os ornamentos a cada repetição da melodia. Enquanto os dançarinos ajustavam os passos à frase que voltava, o músico a tocava com pequenas novidades.
O mazur se difundiu em diferentes lugares como dança camponesa, urbana e aristocrática. Cada região tinha movimentos e nomes próprios, e os primeiros registros de Kolberg apresentam casos de uso sobreposto dos nomes kujawiak e oberek. Mesmo para danças em três tempos, havia pequenas diferenças regionais na maneira de nomear e dividir os movimentos. A passagem de uma dança lenta a uma rápida, as mudanças dos instrumentos de acompanhamento e o hábito de ornamentar as melodias compõem o contexto comum dessas danças. As peças de Chopin que herdaram seu nome também tratam de maneira variada os acentos e as durações dentro dos três tempos.
Aprender o kujawiak nas festas
No kujawiak, os pares se deslocam em um grande círculo enquanto giram também em torno de seu próprio eixo. Crianças e jovens das aldeias aprendiam observando e imitando os adultos nas festas. Conheciam, por meio do corpo de outras pessoas, a maneira suave de girar e a sequência dos passos. Em vez de bater os pés com força, os dançarinos se movem de maneira fluida, transferindo os passos suavemente. Quem aprendia ajustava a velocidade dos passos e da rotação para seguir o círculo junto com seu par.

Não eram apenas os moradores das aldeias que aprendiam a dança. Proprietários de terras e nobres convidavam músicos e dançarinos para suas residências a fim de aprender o kujawiak. Alguns movimentos novos ou mais elaborados que criavam voltavam depois às aldeias. Ao visitar outras casas e retornar, intérpretes e dançarinos também modificavam os gestos. Músicos ligavam, assim, as festas das aldeias e os bailes das grandes residências. A presença da mazurca tanto na música rural quanto na urbana tinha por trás pessoas que aprendiam a dança diretamente e trocavam movimentos.
O kujawiak também tinha canções. Letras e melodias curtas eram repetidas várias vezes, e refrões como oj dana dana podiam imitar os instrumentos. Em 1867, Kolberg reuniu em dois volumes mais de mil melodias recolhidas na Cujávia. Alguns kujawiaks locais eram mais rápidos e complexos que a dança nacional padronizada para o palco. Cantores que repetiam frases curtas, pares que giravam e conjuntos que os acompanhavam transmitiam a dança de formas distintas em cada região. As músicas hoje reunidas na categoria de kujawiak lento também foram recolhidas em diversas aldeias.
As rotações do oberek e o terceiro tempo
O nome oberek se relaciona com um verbo polonês que significa girar. Os pares giram para a direita em torno de seu eixo enquanto percorrem um grande círculo no sentido anti-horário. Um dançarino experiente pode dar o sinal para mudar o sentido geral do deslocamento. Nos movimentos mais difíceis, os pares também passam a girar para a esquerda. É preciso coordenar simultaneamente o sentido de rotação com o parceiro e a direção percorrida junto aos demais pares.

No oberek, a mulher pode girar ao redor do homem, e o homem pode torcer a perna no terceiro tempo para acentuar o gesto. Em geral, os pares mantêm as mãos unidas, exceto quando a mulher faz brevemente uma rotação sozinha. O acento no último dos três tempos se articula com o movimento corporal. O violino do acompanhamento preenche as notas longas da melodia com semicolcheias curtas e figuras de acordes desdobrados. Mesmo ao repetir a mesma música, o violinista acrescenta novas notas à dança rápida sempre que muda os ornamentos.
O pequeno conjunto da aldeia era chamado kapela. Uma formação transmitida pela tradição tinha violino na melodia, o baixo de três cordas chamado basy e um pequeno tambor com guizos. O grupo podia manter um andamento constante ou acelerá-lo gradualmente durante a dança. A música repetia pares de frases curtas de quatro ou oito compassos. As frases recorrentes e o acento no terceiro tempo indicavam aos dançarinos quando iniciar a próxima rotação; dentro dessa estrutura, os músicos mudavam os ornamentos. A repetição dos passos e as alterações improvisadas do violino conduziam a mesma dança.
Os ritmos que Chopin levou ao piano
Chopin usou em suas mazurcas elementos rítmicos e melódicos das danças polonesas. Na maioria dos casos, aproveitou esses elementos em composições novas em vez de tomar diretamente uma melodia popular completa. Entre as exceções de citação direta está o op. 68 n.º 3. Ele também declarou que não escrevera as mazurcas op. 6 para dançar. Reuniu os ritmos e as características melódicas de uma música antes repetida conforme os dançarinos em peças que um pianista tocaria sozinho.
Mantendo os três tempos, o pianista decide quanto prolongar as notas da melodia e qual tempo acentuar. Ao tocar mazurcas, precisa pensar tanto nos acentos quanto no uso do rubato. Rubato é uma maneira de ajustar flexivelmente as durações segundo o fluxo da frase. Alguns participantes do Concurso Chopin de 2025 aprenderam as danças mazur, oberek e kujawiak. Depois de experimentar corporalmente o deslocamento em círculo e o acento de um movimento no terceiro tempo, trabalham a métrica e a duração da melodia diante do piano.
Na peça em sol sustenido menor do op. 33, Chopin escreveu mesto, uma indicação de caráter triste. O primeiro tema começa com uma cadência, retorna a ela no meio e termina também com uma cadência. A cadência é a sequência de notas e acordes que encerra uma frase. A peça faz ouvir desde o começo uma forma de conclusão e volta a ela depois. Mesmo em uma mazurca curta, Chopin organizou cuidadosamente a sequência de retorno das melodias junto com a métrica da dança.
Uma discussão sobre os três tempos
A mazurca em dó maior do mesmo op. 33 está associada a um episódio narrado pelo aluno Wilhelm von Lenz. Enquanto ele tocava a peça diante de Chopin, o compositor Giacomo Meyerbeer entrou. Segundo a recordação de Lenz, Meyerbeer afirmou que a música estava em dois tempos, e não em três, e Chopin ficou furioso. Ao lado do piano, discutiram o autor que escrevera uma mazurca em três tempos e o colega que percebera sua métrica de outra maneira. O episódio mostra concretamente como os acentos de uma música em três tempos podiam soar pouco familiares.

Uma história sobre a peça em ré maior está ligada a outra aluna, Marcelina Czartoryska. Ela criava contraste tocando primeiro de maneira rude e depois com elegância. A interpretação representava a diferença entre uma hospedaria e uma sala de visitas. Transformava em dois caracteres do piano o ambiente onde se tocava para uma festa de dança e aquele onde a nobreza compartilhava música. Ao alternar rudeza e elegância na mesma peça, Czartoryska opunha as atmosferas da hospedaria e do salão.
Chopin dedicou o op. 33 à condessa Róża Mostowska. Ao apresentar a coleção, Schumann avaliou que suas peças tinham um caráter mais popular que as mazurcas anteriores e poderiam encantar de imediato os ouvintes. Comparou a nova coleção às precedentes e comentou o poder de atração de sua música. As quatro peças da lista do Mahina estão em sol sustenido menor, dó maior, ré maior e si menor. A de dó maior conserva a lembrança da discussão métrica; a de ré maior, a história da aluna que alternava uma execução rude e elegante. As pequenas peças baseadas em danças polonesas produziram histórias diferentes também entre o compositor, os alunos e os críticos.
Ouvir música no Mahina
No Mahina, apresentamos as quatro Mazurcas op. 33 interpretadas por Seong-Jin Cho. Ao acompanhar os três tempos do piano, você pode lembrar as rotações e os movimentos dos pés das danças polonesas descritos neste artigo.





